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Doenças do Sistema Reprodutor Feminino

Patologias ovarianas, da tuba uterina, uterinas, vaginais/vulvares e infecciosas

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🧠 1. Patologias Ovarianas Congênitas
Anomalias de PosiçãoOvário

Ovário em posição anormal (ex: ovário abdominal em vaca).

Ovário fora da posição habitual junto ao corno uterino. Pode dificultar diagnóstico por palpação retal. Geralmente sem prejuízo reprodutivo significativo.

Agenesia OvarianaOvário

Ausência congênita de um ou ambos os ovários.

Unilateral: pode haver ovulação e gestação. Bilateral: infertilidade definitiva, com hipodesenvolvimento de todo o trato genital. Hereditária — animais afetados não devem reproduzir.

Hamartoma OvarianoOvário

Proliferação benigna desorganizada de tecidos ovarianos normais.

O tecido se forma com elementos normais (células germinativas, vasos, conjuntivo) mas em arranjo desorganizado. Não é neoplasia verdadeira; geralmente não metastatiza.

Angiomatose OvarianaOvário

Persistência anormal de vasos sanguíneos embrionários no ovário.

Vasos tortuosos e dilatados que deveriam regredir após o nascimento. Geralmente benigna; pode ser confundida com neoplasia em ultrassom.

🧠 2. Alterações do Desenvolvimento Ovariano
Hipoplasia OvarianaOvário

Desenvolvimento incompleto do ovário.

Unilateral → animal subfértil. Bilateral → esterilidade e hipodesenvolvimento da genitália externa. Origem genética/hereditária.

🧪 Diagnóstico

  • Palpação retal (em grandes animais)
  • Ultrassonografia: ovário pequeno com pouca atividade folicular
Disgenesia GonadalOvário

Ovário formado de maneira anormal — comum em éguas XO.

Mais comum em éguas associada a alterações cromossômicas (cariótipo 63,XO — análogo à Síndrome de Turner). Resulta em ovários fibrosados, útero infantil e infertilidade permanente.

Síndrome do Ovário Remanescente (SOR)Ovário

Persistência de tecido ovariano funcional após castração incompleta.

Após ovariossalpingo-histerectomia, fragmento de tecido ovariano permanece e continua a produzir hormônios. A fêmea castrada volta a apresentar sinais de cio.

🔍 Sinais clínicos

  • Estro recorrente em fêmea castrada
  • Aceitação do macho
  • Edema vulvar cíclico

🧪 Diagnóstico

  • Citologia vaginal cíclica
  • Dosagem de progesterona / AMH
  • Ultrassonografia / laparoscopia
💊 Tratamento: Remoção cirúrgica do tecido remanescente.
🧠 3. Hemorragia e Neoplasias Ovarianas
Hemorragia OvarianaOvário

Sangramento no ovário (após ovulação, trauma ou manipulação).

Sangramento pequeno é reabsorvido. Sangramento grande forma hematoma e pode evoluir para hemoperitônio (sangue livre na cavidade abdominal) — emergência.

Tumor de Células da Granulosa (TCG) ⭐Neoplasia

Tumor ovariano MAIS COMUM em éguas. Hormonalmente ativo.

Originado das células da granulosa. Produz de forma descontrolada testosterona, estrógeno e inibina. O ovário contralateral atrofia.

🔍 Sinais clínicos

  • Comportamento de macho / agressividade
  • Ausência de cio ou cios irregulares
  • Aumento unilateral do ovário
  • Atrofia do ovário oposto

🧪 Diagnóstico

  • Ultrassonografia (estrutura multicística 'colmeia de abelha')
  • Hormônio Anti-Mülleriano (AMH) elevado — marcador-chave
  • Inibina elevada
💊 Tratamento: Ovariectomia unilateral (cura). O ovário contralateral retoma a função em meses.
Teratoma OvarianoNeoplasia

Tumor germinativo com tecidos diversos (pelo, osso, dente, cartilagem).

Origem em células germinativas pluripotentes. Geralmente benigno. Pode comprimir estruturas adjacentes.

CistadenomaNeoplasia

Tumor benigno cístico, mais comum em cadelas.

Massa ovariana com múltiplas cavidades cheias de líquido. Pode acometer ambos os ovários.

Hemangioma OvarianoNeoplasia

Tumor de origem vascular.

Proliferação benigna dos vasos sanguíneos ovarianos.

🧠 4. Inflamações Ovarianas
OoforiteInflamatória

Inflamação do ovário, geralmente por infecção ascendente do útero.

Pode ser bacteriana, viral ou sistêmica. Compromete a fertilidade por aderências ou destruição de folículos.

⚡ Causas

  • Bactérias uterinas ascendentes (Trueperella pyogenes, E. coli, Streptococcus spp.)
  • Brucella spp.
  • Tuberculose
  • Herpesvírus bovino tipo 1 (BoHV-1)
  • Vírus da Diarreia Viral Bovina (BVD)
🧠 5. Cistos Ovarianos
Cisto FolicularCisto

Folículo cresce mas não ovula. Produz estrógeno.

Estrutura de parede fina, conteúdo claro, > 25 mm em vacas, persistindo > 10 dias. Causa ninfomania, anestro ou ciclos irregulares no pós-parto.

💊 Tratamento: GnRH ou hCG para induzir luteinização/ovulação; em alguns casos, progesterona.
Cisto LuteínicoCisto

Folículo não ovula mas a parede luteiniza. Produz progesterona.

Parede mais espessa que o cisto folicular, com luteinização parcial. Produz progesterona e causa anestro prolongado.

💊 Tratamento: PGF2α (lise do tecido luteal).
Corpo Lúteo CísticoCisto

Após ovulação normal, sobra cavidade central com líquido.

Estrutura fisiológica: ocorre após ovulação normal. Tem parede espessa e vascularizada, e produz progesterona normalmente. Não interfere no ciclo nem na gestação.

Cisto ParaovarianoCisto embrionário

Originado de restos embrionários (paráforos / epóforos).

Cisto único, esférico, parede fina, com líquido claro. Próximo ao ovário, mas sem afetar a função reprodutiva.

Cisto da Rete OvariiCisto embrionário

Acúmulo de secreção na rede ovariana.

Múltiplos cistos pequenos com líquido claro. Sem importância clínica significativa.

Cisto de InclusãoCisto

Cisto na superfície do ovário; em éguas pode obstruir a fossa de ovulação.

Localizado na superfície ovariana. Em éguas, quando aparece na fossa de ovulação, atua como barreira mecânica e impede a ovulação.

Cisto Tubo-OvarianoCisto

Envolve tuba uterina e ovário; associado a inflamação crônica.

Cisto de maior tamanho, parede espessa ou com septos. Frequentemente secundário a salpingite e aderências. Causa infertilidade e dor.

Cisto de Folículo AtrésicoCisto

Folículo que degenerou sem completar o desenvolvimento.

Pequeno, parede espessa, conteúdo heterogêneo. Sem relevância clínica significativa.

🧠 6. Patologias da Tuba Uterina (Oviduto)
SalpingiteTuba uterina

Inflamação da tuba uterina.

Inflamação que destrói o epitélio ciliado, comprometendo o transporte de gametas e embriões. A forma crônica leva a infertilidade permanente.

Hidrossalpinge / PiossalpingeTuba uterina

Acúmulo de líquido seroso (hidro) ou pus (pio) na tuba.

Hidrossalpinge: líquido seroso por obstrução ou inflamação prévia. Piossalpinge: pus, geralmente secundário a infecção uterina ascendente.

Aplasia SegmentarTuba uterina

Ausência congênita de parte da tuba.

Pode ser hereditária. Em bovinos, associada ao freemartinismo (alterações do desenvolvimento sexual em fêmeas gêmeas de macho).

Obstrução tubária em éguasTuba uterina

Acúmulo de oócitos degenerados obstrui a tuba.

Oócitos não fecundados acumulam e bloqueiam a tuba, impedindo a fecundação. Tratamento: aplicação de misoprostol próximo à junção útero-tubárica para desobstruir mecanicamente.

Fibrose tubáriaTuba uterina

Tecido cicatricial em excesso na tuba.

Sequela de inflamações crônicas. Reduz a luz e a motilidade tubária, causando infertilidade.

🧠 7. Patologias Uterinas — Malformações e Torções
Aplasia / Hipoplasia uterinaÚtero

Ausência ou desenvolvimento incompleto do útero.

Aplasia segmentar: ausência congênita de parte do útero. Hipoplasia: endométrio e miométrio reduzidos, levando a infertilidade.

Útero didelfo / septado / unicornoÚtero

Malformações congênitas da arquitetura uterina.

Didelfo: dois úteros independentes, com duas cérvices. Septado: divisão parcial ou total da cavidade por septo. Unicorno: apenas um corno desenvolvido. Reduzem a capacidade gestacional.

Torção Uterina ⭐Útero

Emergência obstétrica em vacas gestantes.

Rotação do útero gravídico sobre seu eixo longitudinal. Predisponentes: movimentação fetal, relaxamento ligamentar e peso uterino aumentado. Compromete circulação e progressão do parto.

💊 Tratamento: Rolamento da vaca (manobra de Schaffer), correção manual via vaginal ou cesariana.
🧠 8. Endometrite, Metrite e Acúmulos Uterinos
EndometriteInflamatória

Inflamação restrita ao endométrio.

Em éguas, a endometrite pós-cobertura persistente é causa comum de infertilidade (falha na eliminação de fluidos). Em vacas, pode ser clínica (descarga purulenta) ou subclínica — ambas reduzem taxas de concepção.

Metrite Puerperal AgudaInflamatória

Inflamação que atinge o miométrio. Quadro grave pós-parto.

Inflamação profunda, frequente após distocia ou retenção de placenta. Pode evoluir com toxemia, sepse e morte.

💊 Tratamento: Antibioticoterapia sistêmica + suporte; PGF2α; em casos graves, ovário-histerectomia.
Piometra ⭐Inflamatória

Acúmulo de pus no útero. Comum em cadelas sob ação da progesterona (CHE-Piometra).

Complexo Hiperplasia Endometrial Cística-Piometra. A progesterona reduz as defesas uterinas e estimula secreção glandular, criando ambiente para infecção (E. coli é a mais comum).

🔍 Sinais clínicos

  • Cérvix aberta: descarga vaginal purulenta
  • Cérvix fechada: ausência de descarga, abdômen distendido — emergência
  • Poliúria/polidipsia
  • Anorexia, vômito, prostração
💊 Tratamento: Ovariohisterectomia (de eleição). Tratamento clínico com aglepristona em fêmeas reprodutoras selecionadas.
⚠️ Importante: Cérvix fechada = alto risco de sepse, ruptura uterina e óbito.
MucometraAcúmulo

Acúmulo de muco no lúmen uterino.

Geralmente associado a obstruções (estenose cervical) ou hiperplasia endometrial crônica.

HidrometraAcúmulo

Acúmulo de líquido seroso no útero.

Frequentemente secundário a anomalias congênitas ou obstruções segmentares.

HemometraAcúmulo

Acúmulo de sangue no útero.

Pode ocorrer após traumas, distocias severas ou distúrbios de coagulação.

🧠 9. Patologias de Vagina e Vulva
Persistência do HímenVagina

Hímen não se rompe adequadamente.

Pode dificultar a cópula ou o parto. Diagnóstico clínico; tratamento cirúrgico quando necessário.

Laceração Reto-VaginalVagina

Lesão obstétrica em parto distócico.

Classificada em graus; o Grau 3 estabelece comunicação completa entre reto e vagina, exigindo reconstrução cirúrgica complexa em duas etapas.

Varizes VaginaisVagina

Veias dilatadas com sangramentos intermitentes.

Comum no estro ou no final da gestação por aumento da pressão vascular. Sangramentos costumam ser autolimitados.

Má Conformação VulvarVulva

Vulva inclinada, predispondo à pneumovagina e urovagina.

Comum em éguas idosas ou magras. Permite entrada de ar e urina na vagina, favorecendo infecções ascendentes e endometrites crônicas.

💊 Tratamento: Cirurgia de Caslick (vulvoplastia).
🧠 10. Neoplasias e Lesões Cervicais
Metaplasia EscamosaCérvix

Substituição do epitélio colunar por escamoso na zona de transformação.

Defesa fisiológica reversível, comum na junção escamocolunar do colo uterino.

Adenomioma (Adenomiose)Útero

Glândulas endometriais ectópicas no miométrio.

Lesão benigna que pode causar aumento uterino e dor. Frequente em fêmeas idosas e multíparas.

Metaplasia SecundáriaCérvix

Resposta adaptativa a estímulos crônicos ou irritativos.

Substituição do epitélio escamoso maduro por colunar mucinoso (intestinal ou tubário) após irritação crônica.

🧠 11. Doenças Sexualmente Transmissíveis e Infecciosas
Tumor Venéreo Transmissível (TVT) ⭐DST

Neoplasia contagiosa em cães, transmitida durante a cópula.

Tumor de células redondas transmitido por transferência direta de células neoplásicas durante a cópula ou contato com mucosas. Aspecto de 'couve-flor', sangra facilmente. Localiza-se nos genitais externos.

💊 Tratamento: Quimioterapia com vincristina (de eleição) — altas taxas de cura.
Brucelose (fêmeas)Infecciosa / Zoonose

Causa abortamento, infertilidade e retenção de placenta.

Zoonose. Em fêmeas: aborto no terço final da gestação, retenção de placenta, endometrite, queda das taxas de concepção.

Herpesvírus (BoHV-1) e BVDInfecciosa

Associados a ooforite, endometrite e falhas reprodutivas.

BoHV-1 causa Vulvovaginite Pustular Infecciosa (IPV) e abortos. BVD provoca infertilidade, abortos, mumificações e nascimento de bezerros persistentemente infectados (PI).

Leptospirose (complemento)Infecciosa / Zoonose

Aborto, natimortos e queda na produção.

Causada por Leptospira spp. (sorovar Hardjo em bovinos). Provoca aborto no terço final, natimortos, bezerros fracos e infertilidade. Zoonose importante.

Campilobacteriose Genital Bovina (complemento)DST

Infertilidade temporária e morte embrionária precoce.

Causada por Campylobacter fetus venerealis. Transmitida pela cópula. Causa infertilidade, repetição de cios e perdas embrionárias. Touros são portadores assintomáticos.

Tricomonose Bovina (complemento)DST

Aborto precoce, piometra e infertilidade em bovinos.

Causada pelo protozoário Tritrichomonas foetus. Transmissão venérea. Causa morte embrionária precoce, piometra e infertilidade. Touros são portadores assintomáticos vitalícios.