Cirurgia Veterinária
Equipe veterinária em aventais vinho realizando cirurgia em um cão
Guia interativo de estudo

Cirurgia Veterinária:da assepsia ao pós-operatório

Um material vivo, organizado em módulos navegáveis. Cada tópico se expande com conceitos, técnicas e pontos de atenção da rotina cirúrgica em pequenos e grandes animais.

24

Módulos

6

Eixos

Em expansão

Mãos enluvadas preparando instrumental cirúrgico sobre campo vinho

A cirurgia veterinária exige um conjunto de medidas destinadas a reduzir a contaminação microbiana e prevenir infecções no paciente. Nesse contexto, os conceitos de assepsia, antissepsia, desinfecção e esterilização são fundamentais.

Assepsia

A assepsia corresponde ao conjunto de técnicas e medidas utilizadas para impedir ou reduzir a entrada de microrganismos em um ambiente, material ou campo cirúrgico. Seu objetivo é manter o procedimento cirúrgico o mais livre possível de contaminação, diminuindo o risco de infecção do sítio cirúrgico.

  • Esterilização dos instrumentais cirúrgicos
  • Preparo adequado da equipe
  • Higienização das mãos
  • Utilização de avental, luvas, máscara e gorro
  • Preparo adequado do paciente
  • Tricotomia quando indicada
  • Antissepsia da pele
  • Utilização correta dos campos cirúrgicos
  • Manutenção da técnica estéril durante todo o procedimento

Antissepsia

A antissepsia consiste na aplicação de substâncias químicas sobre tecidos vivos, principalmente a pele, com o objetivo de reduzir ou controlar a quantidade de microrganismos presentes no local. Os antissépticos devem apresentar atividade antimicrobiana adequada, ser seguros para os tecidos e possuir baixa toxicidade quando utilizados corretamente.

Clorexidina
Amplo espectro de ação e atividade residual, sendo amplamente utilizada no preparo da pele. Cuidado com a aplicação em olhos e estruturas do ouvido, pois pode causar lesões importantes.
Povidona-iodo
Ação contra bactérias, vírus e fungos; utilizada no preparo da pele e em tratamentos tópicos. Apesar da boa margem de segurança, o uso repetido pode causar irritação ou dermatite.
Álcool
Ação antimicrobiana rápida, podendo ser associado a outros antissépticos. Apresenta pouca ação residual e pode causar irritação ou ressecamento da pele.

A limpeza deve preceder a antissepsia: matéria orgânica, sangue e sujidades reduzem a eficácia de alguns agentes antissépticos.

Cirurgia reparadora

Tem como objetivo corrigir ou reparar alterações anatômicas e funcionais decorrentes de traumas, feridas, defeitos teciduais, alterações congênitas ou consequências de procedimentos anteriores. Busca-se restaurar, dentro do possível, a função do tecido ou órgão e melhorar sua condição anatômica.

Um exemplo seria a correção cirúrgica de uma ferida extensa após um trauma, na qual existe perda de tecido e comprometimento da função ou proteção da região.

Cirurgia reconstrutiva

Utilizada quando existe um defeito tecidual que não pode ser fechado adequadamente por uma simples aproximação das bordas da ferida.

  • Retalhos cutâneos
  • Enxertos
  • Reconstrução de tecidos
  • Utilização de diferentes planos de fechamento
  • Técnicas de redução da tensão sobre a ferida

O objetivo é reconstruir a região afetada, proporcionando cobertura adequada, preservação da função e, quando possível, melhor resultado estético.

Reparadora e reconstrutiva são conceitos relacionados, mas não necessariamente sinônimos: uma cirurgia pode reparar uma estrutura sem exigir técnicas reconstrutivas complexas.

Os procedimentos cirúrgicos podem ser classificados de acordo com diferentes critérios.

Quanto à gravidade

Cirurgia leve
Menor complexidade e, em condições normais, baixo risco de comprometimento grave da vida do paciente.
Cirurgia grave
Maior complexidade e maior possibilidade de complicações ou comprometimento sistêmico.

A classificação deve considerar o estado clínico do animal, o tipo de procedimento, a extensão da intervenção e os riscos anestésicos e cirúrgicos.

Quanto à complexidade

Simples
Menor complexidade técnica, geralmente envolve uma estrutura ou região limitada e possui menor duração.
Composta ou complexa
Maior número de estruturas anatômicas, maior manipulação tecidual ou técnicas mais elaboradas.

Quanto à presença de sangramento

Cruenta
Ocorre abertura dos tecidos e, consequentemente, existe sangramento associado ao procedimento.
Incruenta
Pouca ou nenhuma produção de sangue, ou procedimentos sem incisão significativa dos tecidos.

Quanto ao planejamento

Regular
Realizada de maneira planejada, seguindo sequência previamente estabelecida — como a ovariohisterectomia eletiva em fêmea clinicamente estável.
Irregular ou não programada
Realizada sem planejamento prévio ou quando uma condição inesperada exige intervenção.

Quanto à urgência

Eletiva
Pode ser programada sem que o adiamento por determinado período represente risco significativo — por exemplo, esterilização em animais estáveis.
Urgência
Necessita intervenção em curto período para evitar agravamento, mas não necessariamente há risco imediato de morte.
Emergência
Existe risco iminente à vida ou à função de um órgão: a intervenção deve ocorrer imediatamente.

Cirurgia paliativa

Tem como objetivo melhorar a qualidade de vida do paciente ou aliviar sinais clínicos, sem necessariamente eliminar a causa ou promover a cura. Pode ser indicada quando a doença não pode ser completamente removida, mas existe possibilidade de reduzir dor, obstrução, sangramento ou outras alterações que comprometam o bem-estar do animal.

O planejamento pré-operatório é uma das etapas mais importantes da cirurgia veterinária. Antes de realizar um procedimento, o médico-veterinário deve avaliar:

  • Indicação da cirurgia
  • Estado geral do paciente
  • Exames complementares
  • Risco anestésico
  • Condições cardiovasculares e respiratórias
  • Hidratação
  • Presença de anemia ou alterações metabólicas
  • Necessidade de estabilização prévia
  • Disponibilidade de equipamentos
  • Capacidade técnica da equipe
  • Cuidados pós-operatórios necessários

Perguntas que orientam a decisão

  • A cirurgia realmente é necessária?
  • O que pode acontecer caso o procedimento não seja realizado?
  • O procedimento está dentro da capacidade técnica do cirurgião e da estrutura disponível?
  • Existem recursos para atender possíveis complicações?
  • Qual é o impacto econômico e emocional do procedimento para o tutor?

Essas questões ajudam a estabelecer uma decisão cirúrgica mais segura e individualizada.

O preparo pré-operatório pode envolver:

  1. 01Contenção adequada
  2. 02Avaliação clínica
  3. 03Estabilização do paciente
  4. 04Medicação pré-anestésica
  5. 05Tricotomia, quando indicada
  6. 06Limpeza e antissepsia
  7. 07Posicionamento adequado
  8. 08Colocação dos campos cirúrgicos
  9. 09Estabelecimento de acesso vascular quando necessário
  10. 10Monitorização anestésica

A sequência pode variar de acordo com a espécie, condição clínica e tipo de cirurgia.

Equino e bovino ao anoitecer, com luz avermelhada

Em grandes animais, especialmente bovinos e equinos, técnicas de anestesia local e regional possuem grande importância, principalmente em procedimentos realizados a campo.

  • Anestesia local por infiltração
  • Anestesia regional
  • Bloqueios nervosos
  • Anestesia epidural
  • Sedação associada à analgesia

A escolha depende da espécie, região anatômica, procedimento, temperamento do animal e condições clínicas.

Anestesia por infiltração

Consiste na aplicação do anestésico local diretamente nos tecidos próximos à área que será manipulada.

  • Sutura de feridas
  • Remoção de pequenas lesões
  • Procedimentos cutâneos
  • Pequenas intervenções cirúrgicas

A infiltração deve ser planejada para proporcionar bloqueio adequado da região, evitando excesso de manipulação ou trauma desnecessário dos tecidos. A concentração e o volume do anestésico devem ser calculados considerando a espécie, peso, local de aplicação e dose máxima segura.

A anestesia regional promove bloqueio da sensibilidade de uma região maior por meio da deposição do anestésico próximo a nervos ou estruturas responsáveis pela inervação da área.

Bloqueio em L invertido

Técnica utilizada principalmente em bovinos para procedimentos realizados pelo flanco. O anestésico é infiltrado em pontos estratégicos ao redor da região que será submetida à incisão, bloqueando a condução nervosa da área.

É frequentemente utilizado em procedimentos como laparotomias pelo flanco.

A anestesia ou analgesia epidural consiste na administração de anestésico local, isoladamente ou associado a outros fármacos, no espaço epidural.

Em grandes animais, a técnica caudal é particularmente importante para procedimentos envolvendo a região perineal, cauda, reto e estruturas relacionadas. Em bovinos, pode ser realizada na região sacrococcígea ou intercoccígea, conforme a anatomia e a técnica utilizada.

A escolha do fármaco, concentração, volume e local de aplicação deve considerar a espécie e o objetivo do bloqueio.

Anestesia promove perda de sensibilidade; analgesia reduz ou elimina a percepção da dor sem necessariamente produzir perda completa da sensibilidade.

A sedação pode ser utilizada para facilitar a contenção e reduzir medo, estresse e movimentação do animal.

Em grandes animais, os agonistas α2-adrenérgicos são frequentemente utilizados, especialmente em bovinos e equinos, porém apresentam diferenças importantes de dose, resposta e segurança entre as espécies.

A xilazina, por exemplo, produz sedação, relaxamento muscular e algum grau de analgesia, mas pode causar alterações cardiovasculares e respiratórias, além de possuir maior sensibilidade em bovinos.

A escolha do protocolo anestésico deve ser individualizada e realizada pelo médico-veterinário responsável.

Bolsa de fluido intravenoso com gotejamento em luz vermelha

A fluidoterapia possui papel fundamental na preparação e manutenção do paciente cirúrgico.

  • Manutenção da perfusão tecidual
  • Correção da desidratação
  • Manutenção do equilíbrio hidroeletrolítico
  • Auxílio na manutenção do equilíbrio ácido-base
  • Reposição de perdas
  • Administração de determinados medicamentos
  • Suporte durante anestesia e recuperação

O plano de fluidoterapia deve ser individualizado e constantemente reavaliado.

A avaliação do estado de hidratação pode considerar:

  • Turgor cutâneo
  • Frequência e qualidade do pulso
  • Coloração das mucosas
  • Tempo de preenchimento capilar
  • Posição dos globos oculares
  • Frequência cardíaca
  • Débito urinário
  • Pressão arterial
  • Histórico de perdas
  • Exames laboratoriais

O tempo de preenchimento capilar prolongado, por exemplo, pode indicar alteração de perfusão, mas não deve ser interpretado isoladamente.

Cálculo do déficit de fluidos

Déficit (L) = peso corporal (kg) × percentual de desidratação. Um animal de 500 kg com 8% de desidratação apresenta 500 × 0,08 = 40 litros de déficit estimado.

Esse valor é apenas uma estimativa inicial. O paciente deve ser reavaliado durante a reposição para evitar tanto a sub-hidratação quanto a sobrecarga de volume.

A necessidade de manutenção representa o volume necessário para atender às perdas fisiológicas de água e eletrólitos. O cálculo pode variar conforme espécie, idade, estado clínico, função renal e protocolo adotado.

Por isso, fórmulas fixas devem ser utilizadas como referência inicial e não como substituição da avaliação clínica. Durante a fluidoterapia, o volume deve ser parcelado e ajustado de acordo com a resposta do paciente.

  • Frequência cardíaca
  • Pressão arterial
  • Perfusão periférica
  • Mucosas
  • Débito urinário
  • Peso corporal
  • Eletrólitos
  • Função renal
  • Presença de edema ou outros sinais de sobrecarga

A reavaliação frequente é fundamental para evitar complicações associadas à administração excessiva de fluidos.

As soluções utilizadas na fluidoterapia podem ser classificadas principalmente em cristaloides e coloides, e ainda, quanto à tonicidade, em isotônicas, hipotônicas e hipertônicas.

A escolha depende da condição clínica, do compartimento que necessita de reposição, dos eletrólitos, do estado de hidratação e dos objetivos da terapia.

Cristaloides

São soluções aquosas contendo partículas de pequeno peso molecular, como eletrólitos e outros solutos, capazes de atravessar a membrana capilar.

  • NaCl 0,9%
  • NaCl 0,45%
  • Ringer com lactato
  • Soluções balanceadas
  • Glicose a 5%

Os cristaloides isotônicos balanceados, como o Ringer com lactato, são amplamente utilizados na prática clínica.

Uma solução isotônica apresenta osmolaridade próxima à do plasma. Exemplos: NaCl 0,9% e Ringer com lactato.

Essas soluções são utilizadas principalmente para reposição de volume e correção de determinados déficits hidroeletrolíticos.

Grande parte do cristaloide isotônico administrado por via intravenosa deixa o compartimento intravascular e distribui-se pelo espaço extracelular. Por isso, o paciente precisa ser monitorado durante a administração.

As soluções hipotônicas apresentam osmolaridade inferior à do plasma. Exemplo: NaCl 0,45%.

A administração de soluções hipotônicas favorece a movimentação de água para o espaço intracelular e, portanto, não é a escolha adequada para ressuscitação volêmica de pacientes em choque.

As soluções hipertônicas apresentam concentração de solutos, especialmente sódio, superior à do plasma. Um exemplo é o NaCl hipertônico a 7,5%.

Seu mecanismo de ação envolve o aumento da osmolaridade intravascular, promovendo deslocamento rápido de água do compartimento intersticial para o intravascular, o que permite expansão rápida do volume circulante com volumes relativamente pequenos.

Não deve ser utilizada de maneira indiscriminada. Em pacientes desidratados, o uso inadequado pode agravar a hiperosmolaridade e provocar complicações neurológicas. Seu efeito é temporário e deve integrar um plano de reposição adequado.

O Ringer com lactato é um cristaloide balanceado e isotônico. Sua composição contém principalmente:

  • Sódio
  • Cloreto
  • Potássio
  • Cálcio
  • Lactato

O lactato presente na solução funciona como um precursor de bicarbonato, sendo metabolizado pelo organismo, principalmente no fígado, contribuindo para o equilíbrio ácido-base em determinadas situações.

É incorreto afirmar que o lactato do Ringer “destrói o fígado”. O uso deve apenas ser individualizado em pacientes com alterações metabólicas ou hepáticas relevantes.

É utilizado em diversas situações, incluindo reposição de fluidos, desidratação e suporte durante procedimentos cirúrgicos.

A solução de glicose a 5% contém aproximadamente 5 g de glicose a cada 100 mL. Embora inicialmente tenha osmolaridade próxima ou inferior à do plasma, após a metabolização da glicose seu efeito fisiológico se aproxima do fornecimento de água livre.

  • Hipoglicemia
  • Algumas necessidades de aporte de água livre
  • Determinadas situações metabólicas

Não deve ser utilizada isoladamente como solução de escolha para ressuscitação de um paciente hipovolêmico, pois não proporciona expansão intravascular sustentada adequada.

O chamado soro fisiológico é uma solução de cloreto de sódio a 0,9%. É um cristaloide isotônico, porém não é uma solução balanceada e não contém tampão. Pode ser utilizado em diferentes situações clínicas, dependendo do distúrbio apresentado pelo paciente.

  • Na⁺: 154 mEq/L
  • Cl⁻: 154 mEq/L

Por possuir concentração relativamente elevada de cloreto, a administração de grandes volumes pode favorecer alterações do equilíbrio ácido-base, especialmente acidose metabólica hiperclorêmica.

A escolha entre NaCl 0,9%, Ringer com lactato e outras soluções deve ser baseada nas necessidades do paciente, e não na ideia de que um tipo de soro é sempre melhor que outro.

O período pós-operatório é fundamental para a recuperação do animal. Os cuidados dependem do tipo de procedimento realizado, da espécie, idade, condição clínica e presença de complicações.

Restrição de espaço e movimentos

Pode ser necessária para evitar abertura da ferida, sangramento, formação de seroma ou comprometimento da sutura.

Alimentação

A dieta deve ser adequada ao procedimento e ao estado clínico do animal. Sempre que possível e quando não houver contraindicação, a retomada da alimentação deve ser planejada de acordo com a recuperação anestésica e a condição gastrointestinal.

Administração de medicamentos

  • Analgésicos
  • Anti-inflamatórios
  • Antibióticos, quando indicados
  • Outros medicamentos específicos para a doença ou procedimento

Cuidados com a ferida

A ferida cirúrgica deve ser observada diariamente quanto a:

  • Edema
  • Vermelhidão
  • Calor
  • Dor
  • Secreção
  • Sangramento
  • Deiscência
  • Alterações de odor

A utilização de medicamentos tópicos deve ser realizada somente quando houver indicação.

Monitorização

A evolução do paciente deve ser acompanhada por avaliação clínica periódica, para identificar precocemente:

  • Infecção
  • Hemorragia
  • Deiscência
  • Seroma
  • Edema
  • Dor inadequadamente controlada
  • Alterações sistêmicas
Membro distal de bovino com curativo protetor acima do casco em cama de palha

Considerações gerais

O dígito lateral é o mais acometido. A amputação é indicada quando as estruturas profundas do dedo estão irreversivelmente comprometidas e o tratamento conservador não apresenta resposta.

Indicações

  • Fraturas na falange distal
  • Necrose do casco
  • Abscessos com osteoartrite
  • Lesões profundas sem resposta aos tratamentos

Analgesia local intravenosa (bloqueio de Bier)

A analgesia regional intravenosa consiste em garrotear o membro e injetar anestésico local em uma veia superficial distal ao garrote, promovendo dessensibilização de todo o segmento isolado. É a técnica de escolha para procedimentos no dígito, pois dispensa a anestesia geral no animal em estação ou em decúbito contido.

  1. 01Contenção adequada do animal e limpeza/antissepsia do membro
  2. 02Aplicação do garrote (torniquete elástico ou borracha) acima do local da cirurgia
  3. 03Punção de veia superficial distal ao garrote (digital dorsal comum ou plantar)
  4. 04Injeção de lidocaína sem vasoconstritor (aproximadamente 20–30 mL a 2%)
  5. 05Aguardar 5–10 minutos para instalação do bloqueio antes de iniciar a incisão
  6. 06Manter o garrote durante todo o procedimento e retirá-lo lentamente ao final

Utilizar sempre lidocaína SEM vasoconstritor: a associação com vasoconstritor em um segmento isquemiado pelo garrote aumenta o risco de necrose tecidual.

Técnica cirúrgica

  1. 01Incisão no espaço interdigital em direção à articulação interfalangeana
  2. 02Desarticulação ou secção óssea com fio de serra (fio de Gigli / fio embriotômico)
  3. 03Remoção do dígito acometido e curetagem de tecido necrótico remanescente
  4. 04Hemostasia, revisão da ferida e aproximação parcial dos tecidos
  5. 05Curativo compressivo e retirada gradual do garrote

Pós-operatório

  • Manter o animal em local com pouca movimentação
  • Fácil acesso à água e à comida
  • Troca de curativo a cada 2 dias
  • Antibiótico sistêmico
  • AINE sistêmico

Prognóstico favorável.

Campo cirúrgico oftálmico em bovino com mãos enluvadas e instrumental ao redor do olho

Considerações gerais

Trata-se de uma cirurgia não estética, na qual se removem todas as estruturas envolvidas pela lesão. É indicada principalmente em neoplasias oculares extensas, quando o globo e os tecidos periorbitais estão comprometidos.

Bloqueio retrobulbar

O bloqueio retrobulbar (técnica de quatro pontos) dessensibiliza o globo ocular e os músculos extraoculares. A agulha é introduzida em quatro pontos ao redor da órbita — dorsal, ventral, medial e lateral — direcionada ao cone retrobulbar, aplicando-se aproximadamente 10 mL de anestésico local em cada ponto.

  • Quatro pontos de punção: dorsal, ventral, medial e lateral
  • Cerca de 10 mL de anestésico local por ponto
  • Aspirar antes de injetar para evitar injeção intravascular
  • Complementar com bloqueio das pálpebras (aurículopalpebral / infiltração local)

Técnica cirúrgica

  1. 01Antissepsia e sutura temporária das pálpebras para isolar a superfície ocular
  2. 02Incisão elíptica perilesional englobando as pálpebras
  3. 03Dissecção romba e cortante em direção ao cone orbital
  4. 04Secção dos músculos extraoculares e do nervo óptico com hemostasia rigorosa
  5. 05Remoção do globo e de todo tecido acometido; curetagem da órbita quando necessário
  6. 06Preenchimento/obliteração da cavidade e fechamento da pele com nylon 0

Fechamento cutâneo realizado com fio de nylon 0.

Pós-operatório

  • Antibiótico sistêmico em caso de sepse
  • Curativo e proteção da ferida
  • AINE para controle da dor e do edema
  • Retirada dos pontos conforme a evolução da cicatrização

Cicatrização retardada → suspeitar de neoplasia. Prognóstico favorável.

Procedimento de descorna em bovino com instrumental e aplicação de spray cicatrizante

Considerações gerais

A descorna cirúrgica remove o corno e o anel de pele adjacente, expondo o seio frontal em animais adultos. Requer bloqueio do nervo cornual e cuidado com hemostasia da artéria cornual.

Pós-operatório

  • AINE para controle da dor
  • Curativo da ferida com spray de prata
  • Proteção contra chuva, poeira e miíase
  • Observação diária da abertura do seio frontal

Complicações

  • Sinusite
  • Hemorragia
  • Miíase
  • Cicatrização retardada

Prognóstico favorável.

A cirurgia veterinária não se resume ao momento da incisão e do fechamento da ferida. Ela envolve uma sequência de etapas que começa com a avaliação do paciente, passa pelo planejamento, preparo, anestesia, técnica cirúrgica, controle da dor, fluidoterapia e termina com o acompanhamento pós-operatório.

A segurança do procedimento depende da integração entre avaliação clínica, técnica asséptica, planejamento anestésico, conhecimento anatômico, escolha adequada dos materiais, controle da dor, manutenção da perfusão e acompanhamento pós-operatório.

Cada paciente deve ser avaliado individualmente: espécie, idade, peso, condição clínica, tipo de procedimento e recursos disponíveis influenciam diretamente a escolha da técnica e do protocolo terapêutico.

Material impresso

Resumo pós-operatório em PDF

Gera um documento em texto corrido, escrito e pronto para impressão, com os pontos-chave dos cuidados pós-operatórios — ambiente, alimentação, analgesia, ferida, monitorização e particularidades por procedimento.

Ferramenta prática

Estimativa à beira do leito

Calculadora de déficit hídrico

Déficit (L) = peso corporal (kg) × percentual de desidratação. Estimativa inicial — o paciente deve ser reavaliado durante a reposição.

Déficit estimado

40 L

equivalente a 40.000 mL